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R E A B I L I T A R - FISIOTERAPIA GERAL E ESTÉTICA - PAGINA DE COMPRAS

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R E A B I L I T A R - FISIOTERAPIA GERAL & DERMATOFUNCIONAL

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ciclo da Marcha

Perry (1992), Norkin in O'Sullivan (1993), Rossi in Sizínio (1998) e Hoppenfeld (1999) definem que o ciclo da marcha é o período que ocorre entre o toque de calcanhar de uma extremidade e o subseqüente toque de calcanhar da mesma extremidade. Sendo que cada extremidade passa por uma "fase de apoio"; que consome aproximadamente sessenta por cento do ciclo, e uma "fase de balanço" responsável pelos outros quarenta por cento.


O ciclo da marcha é di
vidido em duas fases: acomodação de posição e oscilação. A fase de posição é subdividida em cinco períodos discretos: 1. Apoio do calcanhar; 2. Aplainamento do pé; 3. Acomodação intermediária; 4. Impulsão do calcanhar; e 5. Impulsão dos dedos. Esta fase ocupa sessenta por cento do tempo durante um ciclo de marcha normal (Rossi in Sízinio, 1998 e Gross, Fetto e Rosen, 2000).


Passo e passada

O comprimento do passo é definido como a distância entre o ponto onde o calcanhar de um membro contacta com o solo, e o ponto em que o calcanhar do membro contralateral contacta com o solo. Enquanto que o comprimento da passada é a distância entre o ponto onde o calcanhar de um membro contacta o solo e o ponto em que este mesmo calcanhar volta a tocar o solo (Perry, 1992; Norkin in O'Sullivan, 1993; Kottke e Lehmann, 1994 e Gross, Fetto e Rosen, 2000).

A largura da passada é determinada pela distância entre a linha média de um pé e a linha média do outro. Na média estes valores são cento e cinqüenta e seis centímetros para o comprimento da passada e a metade desse valor para o comprimento do passo. A largura da passada é oito centímetros (( três centímetros e meio), conforme figura 1.


Figura 1: Representação esquemática das dimensões da passada: comprimento do passo e da passada, largura da passada e ângulo do pé.

A MARCHA:

A terminologia marcha é descrita como referência às atividades de um membro. A maior unidade empregada à marcha é chamada de ciclo da marcha. No ato normal de caminhar, um ciclo de marcha começa quando o calcanhar do membro de referência contacta a superfície de sustentação, e este ciclo termina quando o calcanhar do mesmo membro contacta novamente o solo.

O ciclo da marcha divide-se em duas fases: a primeira de apoio e balanço e a segunda de dupla sustentação. Na marcha normal a fase de apoio constitui 60% do ciclo da marcha e é definida como o intervalo em que o pé do membro de referência está em apoio com o solo; a fase de balanço constitui 40% do ciclo da marcha, e é onde o membro de referência não contacta o solo. A dupla sustentação refere-se aos dois intervalos num ciclo da marcha em que o peso corporal está sendo transferido de um pé para o outro, e ambos os pés estão em contato com o solo, ao mesmo tempo.

IV - DETERMINANTES DA MARCHA:

Durante um ciclo completo, o centro de gravidade é deslocado duas vezes em seu eixo vertical. O pico se dá durante o meio da postura na fase estática quando a perna sustentadora de peso está vertical e seu ponto mais baixo quando as duas pernas estão sustentando peso com posição de apoiar o calcanhar e a outra em ponta de dedos.

IV.1 - Rotação e inclinação pélvica:

A rotação pélvica visa diminuir a ondulação vertical, na qual a pelve oscila sobre um eixo da coluna lombar. O grau de compensação da pelve durante o passo também diminui o ângulo entre a pelve e a coxa e a perna e o solo. Por outro lado, a inclinação pélvica é uma queda da pelve do lado do balanceio. A perna de apoio está aduzida e a perna em movimento levemente aduzida, e fletida no quadril e joelho para se erguer do solo.

IV.2 - Flexão do joelho na fase de apoio:

O joelho durante a fase de apoio está completamente estendido quando o calcanhar toca o solo, o que inicia a fase de apoio para a perna Quando o corpo se desloca sobre o seu centro de gravidade o joelho flete, o corpo passa sobre o pé e o joelho gradualmente reestende até a extensão total no fim da fase de apoio.

O movimento conjugado entre o joelho e o tornozelo relaciona-se com a ondulação da pelve. No apoio do calcanhar, o tornozelo promove 90º de dorsiflexão e gradualmente flete em sentido plantar para se aplanar no solo quando o corpo se aproxima do centro de gravidade.

V - A ATIVIDADE MUSCULAR NA MARCHA:

Os músculos acionadores, estabilizadores e desaceleradores possuem um papel de grande importância para a realização da marcha.

Os músculos eretores da espinha elevam a pelve e os glúteos estabilizam o quadril, durante o desvio lateral da pelve. Os flexores do quadril iniciam a fase de movimento ocasionando um pêndulo nos músculos da coxa e perna.

O quadríceps exerce uma grande atividade muscular durante a marcha, assim como os abdominais, isquios-tibiais, gastrocnêmios, solear, psoas, piramidal, quadrado lombar.

Podemos observar que todos os músculos, até de cadeias musculares mais distantes, são solidários para a realização da marcha, e mais, que o estado psicossocial do indivíduo altera a marcha.

Marcha Normal

O pé é uma estrutura extremamente complexa que deve executar uma série de funções biomecânicas importantes, principalmente durante a fase de apoio da marcha. A fase de apoio dura aproximadamente 0.63 segundos, permitindo assim uma mínima quantidade de tempo, para que ocorram estas atividades.

As funções que o pé deve desempenhar durante a fase de apoio são: 1. base de suporte, 2. adaptação para acomodação em qualquer terreno, 3.absorvedor de choque, 4. Alavanca rígida para uma propulsão eficiente e 5.mecanismo de absorção da rotação transversa da perna. O sincronismo destas importantes funções é fundamental para o desenvolvimento da marcha normal.

Fases da marcha. O ciclo da marcha normal para cada membro consiste numa fase de balanço (aproximadamente 38% do ciclo).

Fase de balanço. A fase de balanço é iniciada pela retirada do hálux e concluída com o toque de calcanhar. Duas importantes atividades acontecem durante esta fase. Primeiramente, logo após a retirada do hálux, o membro inferior inicia uma rotaçào interna durante todo o período da fase de balanço. Em segundo lugar, embora o pé inicialmente entre em pronação para auxiliar na liberação do hálux, durante a metade final desta fase o pé entra em supinação, de modo que o calcâneo sofre uma invasão de aproximadamente 2º no toque de calcanhar.

Fase de apoio. Durante a fase de apoio, várias funções do pé apresentam um papel importante no ciclo de marcha normal. Para fins didáticos, divide-se esta fase em: a) período de contato; b) médio apoio, e c) impulsão.

Período de contato. O período de contato inicia com o toque de calcanhar e termina com a retirada do hálux da outra perna. Este período constitui os primeiros 15 a 25% da fase de apoio. Antes do toque de calcanhar, o calcâneo sofre uma inversão de aproximadamente 2º. No toque de calcanhar, o membro inferior continua a sua rotação interna ao longo de todo o período de contato. Para permitir que o pé mantenha essa linha de progressão, a articulação subtalar entra em pronação para absorver a rotação interna da perna. A pronação da articulação subtalar produz simultaneamente em paralelismo nos eixos da articulação transtarsal e cria uma adaptação flexível para acomodação em diferentes terrenos. A pronação da articulação subtalar tem um efeito direto e indireto na redução do choque, gerado por ocasião do toque de calcanhar. A pronação da articulação subtalar cria um encurtamento do suporte da perna, que diretamente diminui o impacto das forças. Indiretamente, a pronação permite que a tíbia rode internamente em uma velocidade mais rápida e mais distante que a do fêmur. Assim, a articulação do joelho pode flexionar-se mais rapidamente para absorver as forças de choque, como resultado de um encurtamento global do membro inferior. No final do contato, o calcâneo sofre uma eversão de aproximadamente 4 a 6º, e a pronação torna-se completa.

Período de médio apoio. O período de médio apoio inicia com o término da pronação da articulação subtalar. O membro inferior inicia a rotação externa, e a articulação subtalar entra em supinação para permitir que o pé permaneça em sua linha de progressão. Quando a articulação subtalar entra em supinação, os eixos da articulação transversal convergem, e o pé é transformado de uma estrutura flexível para um braço rígido para uma eventual propulsão.

No ponto médio da fase de médio apoio (ou aproximadamente 50 a 60% da fase de apoio), o calcâneo já se moveu da posição de eversão para a neutra. A posição neutra pode ser descrita como a congruência da cabeça do tálus dentro da pinça, com a bissecção do calcâneo perpendicular ao solo. As cinco cabeças dos metatarsos devem também estar em um plano perpendicular á bissecção do calcâneo. Durante a última metade da fase de médio apoio, a articulação subtalar prossegue a supinação e o calcâneo sofre uma inversão de aproximadamente 2º, antes da fase de retirada do calcanhar. A contínua convergência dos eixos da articulação transtarsal aumenta a rigidez do pé.

Período de impulsão. O período de impulsão da marcha inicia com o levantamento do calcanhar e termina com a retirada do hálux. Esta fase é a continuação do período de médio apoio, com uma rotação externa do membro inferior, supinação da articulação subtalar e convergência dos eixos articulares transtarsais. Na fase de retirada do hálux, o calcâneo já sofreu inversão de aproximadamente 4 a 6º.

Para resumir, durante a fase de apoio, a articulação subtalar age como torque conversor, pela absorção da rotação do membro inferior, enquanto o pé mantém sua linha de progressão. A pronação e supinação da articulação subtalar direcionam os planos dos eixos da articulação transtarsal para um paralelismo ou convergência. Assim, o pé é transformado de uma estrutura acomodativa e flexível no toque de calcanhar para um braço rígido, para uma efetiva propulsão na retirada do hálux. Finalmente, o mecanismo de absorção de choque é produzido através da pronação da articulação subtalar tanto pelo efeito direto quanto indireto.

Normalmente, o pé é um mecanismo eficiente. Entretanto, qualquer retardo ou demora de um destes três períodos da fase de apoio altera a eficiência e produz uma marcha anormal. sugiro leitura da anatomia do pé.

7 comentários:

  1. mto bom gostei da explicação ...

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  2. Estou neste preciso momento num seminário sobre marcha... Como o inglês do professor não é muito fluente aproveitei para dar uma pesquisa através do notebook... bem dei com o teu blog e está perfeito para completar a informação "transmitida" pelo professor!
    Obrigado e força com a vida!

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  3. Muito obrigada! Que Deus te abençoe!

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  4. Olá! Sou estudante de fisioterapia e gostei da explicação. Seu blog tem muitas informações importantes p/ mim e p/ muita gnt.
    Parabéns e obrigada!

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  5. Ola, tenho um caso clinico que não consigo fazer. Será que me ajuda?

    Caso Clínico:

    Uma senhora com 65 anos sofreu fratura de 1º metatarso que resultou na necessidade de abordagem cirurgica. A paciente sofria Halux Valgo doloroso há 8 anos, cuja indicação cirugica já havia sido apontado, o cirurgião aproveitou para fazer os dois procedimentos. Após a cirurgia, foi encaminhada ao serviço de fisioterapia e sua avaliação evidenciou fenômenos distróficos como edema, descamação na pele, erimeta mantido e aumento de temperatura no local da cirurgia até o tornozelo. Houve redução importante da amplitude de movimentos de todo pé e do persistente em todo pé. A paciente não consegue identificar bem o local de dor e piora com o movimento mesmo com a palpação suave.

    Perguntas:
    1- Explique o mecanismo fisioterápico do edema de resposta após cirurgia.
    2- Explique o mecanismo da marcha que no caso do paciente qual fase esta mais prejudicada.
    3- Explique a fisiologia do processo inflamatório do paciente e diga quais sinais do texto apontam para essa afirmação.

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  6. muito bom mesmo.obrigada

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  7. olá, seria interessante colocar os músculos que atuam concêntrica e excêntricamente nas fases da marcha. A explicação no geral, está muito boa!

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