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MEDITAÇÃO DIÁRIA

sábado, 31 de outubro de 2009

CAMPANHA: NÃO AO ATO MÉDICO - PARTICIPE

http://www.atomediconao.com.br/

Basta você acessar a página, inserir seu nome e email, escolher um Estado (Eu vou mandar para os 26) e enviar. Vc não precisa escrever nada!!! Por favor nos ajude nessa campanha, alguém precisa fazer alguma coisa!!!

Não deixe de nos ajudar enviando o email!!!

Luciane (Quem Divide Multiplica)


O projeto de lei do Ato Médico (PL nº 7.703/2006), na forma aprovada pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP), pela Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJC) e pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), acaba com o direito da população de ter livre acesso aos serviços dos profissionais da saúde. Esse Projeto de Lei transforma os profissionais da saúde em técnicos dos médicos. Ele estabelece que, somente após o diagnóstico nosológico (da doença) e da prescrição terapêutica feita pelo médico, a população poderá ser atendida pelos profissionais da saúde.

Se aprovado, os médicos terão o direito de prescrever os tratamentos em áreas que eles não possuem treinamento e competência como: psicologia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, educação física, farmácia, biomedicina, medicina veterinária, odontologia, serviço social, ciências biológicas.

Anualmente, o SUS realiza mais de um bilhão de consultas médicas, as quais geram meio bilhão de exames a um custo anual de dezenas de bilhões de reais. Apesar dessa cobertura e de sermos uma população jovem, temos 50 milhões de portadores de doenças crônicas e ainda vivemos uma década a menos do que poderíamos.

Três em cada quatro brasileiros dependem do SUS para ter acesso aos serviços de saúde. No entanto, a maioria dos 3 milhões de profissionais da saúde está desempregada e os que trabalham são mal remunerados. Portanto, a baixa eficiência e os alarmantes custos do Sistema de Saúde do Brasil devem ser atribuídos aos elevados custos dos exames e dos medicamentos que alimentam uma indústria da doença.

No Brasil, os médicos compõem apenas 344 mil dos 3 milhões de profissionais da saúde. A solução para os graves problemas de saúde do país depende do respeito aos profissionais da saúde e da garantia para a população do livre acesso aos seus serviços. No lugar de alimentar a indústria da doença, precisamos valorizar os serviços dos profissionais da saúde e disponibilizá-los aos cidadãos, como determina a Constituição Federal.

Assim, além de violentar os direitos de 3 milhões de profissionais da saúde, esse Projeto de Lei coloca em risco a saúde da população, ao delegar aos médicos o exercício de atos privativos para os quais eles não possuem treinamento.

Em especial, solicitamos que o PL 7.703/2006 seja rejeitado na íntegra para que a Câmara dos Deputados possa analisar a matéria com o cuidado necessário, de forma a garantir o amplo debate democrático que o tema requer.

Alternativamente, solicitamos que seja acatado o parecer aprovado pela COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO, com as modificações solicitadas abaixo. No final apresentamos uma versão sem comentários da versão alternativa proposta:

_________________________________

Dispõe sobre o exercício da medicina.

O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º O exercício da medicina é regido pelas disposições desta lei.

Art. 2º O objeto da atuação do médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza.

Parágrafo único. O médico desenvolverá suas ações profissionais no campo da atenção à saúde para:
I – a promoção, a proteção e a recuperação da saúde;
II – a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças;
III – a reabilitação dos enfermos e portadores de deficiências.
Art. 3º O médico integrante da equipe de saúde que assiste o indivíduo ou a coletividade atuará em mútua colaboração com os demais profissionais de saúde que a compõem.
Art. 4º São atividades privativas do médico:
I – formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;

A redação do inciso I do Art 4º foi modificada pela Comissão de Educação e Cultura para:

I – formulação do diagnóstico nosológico médico e sua respectiva prescrição terapêutica;

Justificativa:

Todos os profissionais da saúde realizam diagnóstico nosológico, ou seja, diagnóstico da doença. Cada profissional da saúde também efetua a respectiva prescrição terapêutica em sua área de formação e experiência. Na forma aprovada pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP), pela Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJC) e pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), a população teria que primeiro obter um diagnóstico nosológico e a respectiva prescrição terapêutica, emitida por um médico, para só depois poder ser atendida por um profissional da saúde. Se fosse aprovado esse regramento, a Câmara dos Deputados estaria prestando um enorme desserviço à saúde da população.
O Estado não pode admitir que os 3 milhões de profissionais da saúde socorram a vida sem ao menos saber diagnosticar as doenças as quais eles se propõem a tratar. As principais doenças que afligem a humanidade possuem múltiplos fatores causais e cada profissional da saúde é treinado para identificar o efeito de alguns desses fatores. Portanto, o Estado não pode atribuir apenas ao médico a função do diagnóstico nosológico. É por isto que a Comissão de Educação e Cultura (CEC) teve a sensibilidade de preservar as habilidades e competências dos demais profissionais ao mudar a redação para “formulação do diagnóstico nosológico médico e sua respectiva prescrição terapêutica”. Para garantir os interesses da vida e da população, o Estado deve exigir que os profissionais da saúde saibam reconhecer os problemas que colocam em risco a vida saudável.

O Estado não pode também admitir que os médicos façam prescrições terapêuticas em áreas nas quais não possuem treinamento. Fazer isso seria violar o direito de 3 milhões de profissionais da saúde de exercerem livremente e na plenitude seus atos privativos. Porém o mais absurdo seria admitir o fato de um profissional prescrever um atendimento sem que ele tenha as habilidades e competências necessárias. A esse propósito, o Ministério da Educação estabeleceu de forma clara e objetiva as habilidades e competências de cada profissional da saúde. Desta forma, dar ao médico o direito de prescrever tratamento que ele não conhece seria instalar o caos e a irresponsabilidade nos serviços de saúde do país. É por isto que o PL 7.703/2006 deve restringir o ato privativo do médico ao diagnóstico médico e à respectiva prescrição terapêutica médica.

II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;
III – indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;

Solicitamos que a redação do inciso III seja modificada para:
III – indicação da execução e execução de procedimentos
invasivos médicos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;

Justificativa:
Todos os outros profissionais da saúde indicam e executam procedimentos diagnósticos, terapêuticos ou estéticos e é preciso garantir os seus direitos à execução desses atos.

IV – intubação traqueal;
V – coordenação da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, bem como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas, e do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva, incluindo a desintubação traqueal;
VI – execução da sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral;
VII – emissão de laudo dos exames endoscópios e de imagem, dos procedimentos diagnósticos invasivos;
VIII - emissão dos diagnósticos anatomopatológicos e citopatológicos;

A redação do Inc. VIII suprimida pela Comissão de Educação e Cultura (CEC) deve ser mantida.

Justificativa:
Os médicos não são os únicos profissionais da saúde com habilidade e competências para emitir diagnósticos anatomopatológicos e citopatológicos.

IX – indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses de uso temporário;

Solicitamos que a redação do inciso IX seja modificada para:

IX – indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses e próteses de uso temporário e externo;

Justificativa:
Os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais prescrevem e executam com sucesso próteses e órteses externas ao corpo desde 1969.

X – prescrição de órteses e próteses oftalmológicas;
XI – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico;

O inciso XI foi alterado pela Comissão de Educação e Cultura (CEC) para:
XI – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico médico;

Justificativa:
A CEC teve a sensibilidade de preservar as habilidades e competências dos demais profissionais ao mudar esta redação. Para garantir os interesses da vida e da população, o Estado deve exigir que os profissionais da saúde saibam reconhecer os problemas que colocam em risco a vida saudável. O Estado não pode admitir que os médicos realizem prognóstico em área para as quais eles não possuem treinamento, pelas razões expostas no comentário ao Art. 4º, I.

XII – indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde;
XIII – realização de perícia médica e exames médicolegais, excetuados os exames laboratoriais de análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular;
XIV – atestação médica de condições de saúde, deficiência e doença;

Solicitamos alteração da redação do inc. XIV para:

XIV – atestação médica de condições de saúde, deficiência e doença no que diz respeito à área de atuação médica;

Comentário:
Os profissionais da saúde também realizam atestação de condições de saúde, deficiência e doença em suas respectivas áreas de atuação. Não seria legítimo e muito menos moral dar ao médico a prerrogativa de atestar uma condição de saúde em áreas que ele não tem treinamento.

XV – atestação do óbito, exceto em casos de morte natural em localidade em que não haja médico.
§ 1º Diagnóstico nosológico é a determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por no mínimo 2 (dois) dos seguintes critérios:

Solicitamos alterar este parágrafo para:

§ 1º Diagnóstico nosológico médico é a determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, na área de atuação médica caracterizada por no mínimo 2 (dois) dos seguintes critérios:

Comentário:
Os profissionais da saúde também, em suas áreas de atuação, realizam diagnóstico da doença que acomete o ser humano, definida como interrupção ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão. Vide também justificativa no comentário ao Art. 4º, I.

I – agente etiológico reconhecido;
II – grupo identificável de sinais ou sintomas;
III – alterações anatômicas ou psicopatológicas.
§ 2º Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva.

A CSSF aprovou emenda que retira da redação deste parágrafo as palavras “funcional” e “cinésio-funcional”.

Comentário:
Desde 1969, através de Decreto-lei nº 938/69, os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais realizam o diagnóstico funcional e cinesiofuncional. A CSSF é composta em sua maioria por médicos e há que se lamentar profundamente a decisão dessa Comissão de retirar o diagnóstico cinesiofuncional da redação do PL. As habilidades para realizar diagnóstico cinesiofuncional fazem parte das diretrizes curriculares dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e não compõem as diretrizes dos cursos de Medicina. Portanto, podemos concluir que a CSSF ao modificar essa redação agiu por razões puramente corporativistas e a redação original deve ser mantida.

§ 3º As doenças, para os efeitos desta Lei, encontram-se referenciadas na versão atualizada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
§ 4º Procedimentos invasivos, para os efeitos desta Lei, são os caracterizados por quaisquer das seguintes situações:
I – invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou abrasivos;
II – invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos;
III – invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos.

O Inc. III foi suprimido conforme parecer da Comissão de Educação e Cultura (CEC).

§ 5º Excetuam-se do rol de atividades privativas do médico:
I – aplicação de injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e intravenosas, de acordo com a prescrição médica;

A redação do Inc. I foi modificada conforme parecer da Comissão de Educação e Cultura (CEC) para:

“I – aplicação de injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e intravenosas, de acordo com a prescrição médica e aplicação de vacinas do Programa Nacional de Imunizações e das campanhas oficiais de prevenção à saúde”;

II – cateterização nasofaringeana, orotraqueal, esofágica, gástrica, enteral, anal, vesical, e venosa periférica, de acordo com a prescrição médica;
III – aspiração nasofaringeana ou orotraqueal;
IV – punções venosa e arterial periféricas, de acordo com a prescrição médica;
V – realização de curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico;
VI – atendimento à pessoa sob risco de morte iminente;
VII – a realização dos exames citopatológicos e seus respectivos laudos, sem emissão de diagnóstico nosológico;
VIII – a coleta de material biológico para realização de análises clínico-laboratoriais;
IX – os procedimentos realizados através de orifícios naturais em estruturas anatômicas visando a recuperação físico-funcional e não comprometendo a estrutura celular e tecidual.

Foi acrescentado pela CEC:
X – estímulo cutâneo em tonificação ou sedação, e de dermopigmentação.

§ 6º O disposto neste artigo não se aplica ao exercício da Odontologia, no âmbito de sua área de atuação.
§ 7º São resguardadas as competências específicas das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia.

A redação do § 7º foi modificada pela Comissão de Educação e Cultura (CEC) para:

§ 7º São resguardadas as competências específicas das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico e tecnólogo de radiologia e das demais profissões da área de saúde que vierem a ser regulamentadas.

Solicitamos que seja modificado o § 7º para:

§ 7º São resguardadas as competências específicas das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico e tecnólogo de radiologia e das demais profissões da área de saúde que vierem a ser regulamentadas, inclusive o livre acesso da população aos serviços desses profissionais.

Comentário:
Essa mudança se faz necessária para preservar os direitos de futuras profissões da saúde que possam vir a ser regulamentadas. Também é necessário garantir o livre acesso da população aos serviços dos profissionais da saúde, sem que ela seja obrigada ou constrangida a obter uma receita médica para exercer esse direito.

§ 8º Punção, para os fins desta lei, refere-se aos procedimentos invasivos diagnósticos e terapêuticos.

A Redação foi alterada pela CEC para:

§ 8º Punção, para os fins desta lei, refere-se aos procedimentos invasivos diagnósticos e terapêuticos, realizados com agulha para uso médico – com cânula.

Art. 5º São privativos de médico:
I – direção e chefia de serviços médicos;

Redação alterada pela Comissão de Educação e Cultura (CEC) para:

I – direção e chefia de serviços de médicos;

II – perícia e auditoria médicas, coordenação e supervisão vinculadas, de forma imediata e direta, às atividades privativas de médico;
III – ensino de disciplinas especificamente médicas;
IV – coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
Parágrafo único. A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico.
Art. 6º A denominação de “médico” é privativa dos graduados em cursos superiores de medicina e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação.
Art. 7º Compreende-se entre as competências do Conselho Federal de Medicina editar normas para definir o caráter experimental de procedimentos em Medicina, autorizando ou vedando a sua prática pelos médicos.
Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e o controle dos procedimentos especificados no caput, bem como a aplicação das sanções pertinentes, em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal.

Dispõe sobre o exercício da medicina.

O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º O exercício da medicina é regido pelas disposições desta lei.

Art. 2º O objeto da atuação do médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza.

Parágrafo único. O médico desenvolverá suas ações profissionais no campo da atenção à saúde para:
I – a promoção, a proteção e a recuperação da saúde;
II – a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças;
III – a reabilitação dos enfermos e portadores de deficiências.

Art. 3º O médico integrante da equipe de saúde que assiste o indivíduo ou a coletividade atuará em mútua colaboração com os demais profissionais de saúde que a compõem.

Art. 4º São atividades privativas do médico:
I – formulação do diagnóstico nosológico médico e sua respectiva prescrição terapêutica;
II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;
III – indicação da execução e execução de procedimentos invasivos médicos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;
IV – intubação traqueal;
V – coordenação da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, bem como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas, e do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva, incluindo a desintubação traqueal;
VI – execução da sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral;
VII – emissão de laudo dos exames endoscópios e de imagem, dos procedimentos diagnósticos invasivos;
VIII – indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses e próteses de uso temporário e externo;
IX – prescrição de órteses e próteses oftalmológicas;
X – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico médico;
XI – indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde;
XII – realização de perícia médica e exames médicolegais, excetuados os exames laboratoriais de análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular;
XIII – atestação médica de condições de saúde, deficiência e doença no que diz respeito à área de atuação médica;
XIV – atestação do óbito, exceto em casos de morte natural em localidade em que não haja médico.
§ 1º Diagnóstico nosológico médico é a determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, na área de atuação médica caracterizada por no mínimo 2 (dois) dos seguintes critérios:
I – agente etiológico reconhecido;
II – grupo identificável de sinais ou sintomas;
III – alterações anatômicas ou psicopatológicas.
§ 2º Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva.
§ 3º As doenças, para os efeitos desta Lei, encontram-se referenciadas na versão atualizada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
§ 4º Procedimentos invasivos, para os efeitos desta Lei, são os caracterizados por quaisquer das seguintes situações:
I – invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou abrasivos;
II – invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos;

§ 5º Excetuam-se do rol de atividades privativas do médico:
I – aplicação de injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e intravenosas, de acordo com a prescrição médica e aplicação de vacinas do Programa Nacional de Imunizações e das campanhas oficiais de prevenção à saúde;
II – cateterização nasofaringeana, orotraqueal, esofágica, gástrica, enteral, anal, vesical, e venosa periférica, de acordo com a prescrição médica;
III – aspiração nasofaringeana ou orotraqueal;
IV – punções venosa e arterial periféricas, de acordo com a prescrição médica;
V – realização de curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico;
VI – atendimento à pessoa sob risco de morte iminente;
VII – a realização dos exames citopatológicos e seus respectivos laudos, sem emissão de diagnóstico nosológico;
VIII – a coleta de material biológico para realização de análises clínico-laboratoriais;
IX – os procedimentos realizados através de orifícios naturais em estruturas anatômicas visando a recuperação físico-funcional e não comprometendo a estrutura celular e tecidual.
X – estímulo cutâneo em tonificação ou sedação, e de dermopigmentação.
§ 6º O disposto neste artigo não se aplica ao exercício da Odontologia, no âmbito de sua área de atuação.
§ 7º São resguardadas as competências específicas das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional, técnico e tecnólogo de radiologia e das demais profissões da área de saúde que vierem a ser regulamentadas, inclusive o livre acesso da população aos serviços desses profissionais.
§ 8º Punção, para os fins desta lei, refere-se aos procedimentos invasivos diagnósticos e terapêuticos, realizados com agulha para uso médico – com cânula.

Art. 5º São privativos de médico:
I – direção e chefia de serviços de médicos;
II – perícia e auditoria médicas, coordenação e supervisão vinculadas, de forma imediata e direta, às atividades privativas de médico;
III – ensino de disciplinas especificamente médicas;
IV – coordenação dos cursos de graduação em medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
Parágrafo único. A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico.

Art. 6º A denominação de “médico” é privativa dos graduados em cursos superiores de medicina e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação.

Art. 7º Compreende-se entre as competências do Conselho Federal de Medicina editar normas para definir o caráter experimental de procedimentos em Medicina, autorizando ou vedando a sua prática pelos médicos.
Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e o controle dos procedimentos especificados no caput, bem como a aplicação das sanções pertinentes, em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal.

Fonte: http://www.atomediconao.com.br/


2 comentários:

  1. Olá!!! Obrigada por postar este assunto que é de extrema relevância para os profissionais da saúde. Sou professora de Educação Física e acho um absurdo o que os médicos estão tentando fazer. Parece que desejam tomar conta de toda área da saúde!!! Onde já se viu desejarem prescrever uma série de exercícios físicos por exemplo!!! Que cada um atue em sua área de formação não é mesmo? Abraços!!!

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  2. ola. oportuno discutir. onde está escrito que vc so pode consultar com um fisioterapeuta ou nutricionista somente após passar pelo medico? Diagnóstico nosologico MÉDICO nao é igual a,por exemplo, diagnóstico de enfermagem que tem sua sistematização bem fundamentada e estabelecida nos grandes hospitais.
    "Uma moça cursava o sexto ano da faculdade. Como é comum no meio universitário, ela estava convencida de que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza. Tinha vergonha de que o seu pai fosse empresário e de direita, portanto, contrário aos programas socialistas que davam benefícios aos que mais necessitavam e cobravam impostos mais altos dos que tinham mais dinheiro…
    A maioria dos seus professores e alunos sempre defendia a tese de distribuição mais justa das riquezas do país.
    Um dia, ela decidiu enfrentar o pai. Falou com ele sobre o materialismo histórico procurando mostrar que ele estava errado ao defender um sistema injusto como a direita pregava. Seu pai ouviu pacientemente (como só um pai consegue fazer), todos os argumentos da filha e no fim perguntou:
    - Como você vai na faculdade ?
    - Vou bem. Minha média de notas é 9, estudo muito, mas vale a pena. Meu futuro depende disso. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.
    O pai prosseguiu:
    - E aquela tua amiga a Verinha, como vai?
    Ela respondeu:
    - Mal. A sua média é 4, ela passa os dias no shopping e namora o dia todo. Pouco estuda e algumas vezes nem sequer vai às aulas. Com certeza, repetirá o semestre…
    O pai, olhando nos olhos da filha, disse:
    - Que tal se você sugerisse ao coordenador do curso para que sejam transferidos 3 pontos das suas notas para as da Vera? Com isso, vocês duas teriam uma média aceitável. Não seria um bom resultado para você, mas seria uma boa e democrática distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.
    Ela indignada retrucou:
    - Isso nunca! Trabalhei muito para conseguir essas notas, enquanto a Vera só busca o lado fácil da vida. Não acho justo que todo o trabalho que tive seja, simplesmente, dado assim a outra pessoa.
    Seu pai, então, a abraçou, carinhosamente, dizendo:
    - BEM-VINDA À DIREITA!

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